quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Arnaldo Jabor☼☼☼


Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, 


nos bares, 


levanta os braços, 


sorri e dispara: 


‘eu sou de ninguém, 


eu sou de todo mundo e todo mundo...



No entanto, 


passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, 


os adeptos da geração ‘tribalista’ se dirigem aos consultórios terapêuticos, 


ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, 


ausência de interesse das pessoas, 


descaso e rejeição.

A maioria não quer ser de ninguém, 


mas quer que alguém seja seu. 


Não dá, 


infelizmente, 


para ficar somente com a cereja do bolo 


- beijar de língua, 


namorar e não ser de ninguém. 


Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, 


os ingredientes vão além do descompromisso, 


como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, 


não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, 


não se importar se o outro estiver beijando outra, 


etc, etc, etc. 


Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, 


o prazer de dormir junto abraçado, 


roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, 


carinho e amor.

Namorar é algo que vai muito além das cobranças. 


É cuidar do outro e ser cuidado por ele, 


é telefonar só para dizer bom dia, 


ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, 


transar por amor, 


ter alguém para fazer e receber cafuné, 


um colo para chorar, 


uma mão para enxugar lágrimas, 


enfim, 


é ter ‘alguém para amar’…

Somos livres para optarmos! 


E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. 


É ter coragem, 


ser autêntico e se permitir viver um sentimento.

Arnaldo Jabor

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