sábado, 24 de novembro de 2012

A VERDADEIRA PAZ☼☼☼




Certa vez,
houve um concurso de pintura e o primeiro lugar seria dado ao quadro que melhor representasse a paz.
Ficaram,
dentre muitos,
três finalistas igualmente empatados.
O primeiro retratava uma imensa pastagem,
com lindas flores e borboletas que bailavam no ar,
acariciadas por uma brisa suave.
O segundo mostrava pássaros a voar sob nuvens brancas como a neve,
em meio ao azul anil do céu.
O terceiro mostrava um grande rochedo sendo açoitado pela violência das ondas do mar,
em meio a uma tempestade estrondosa e cheia de relâmpagos.
Para surpresa e espanto dos finalistas,
o escolhido foi o terceiro quadro,
o que retratava a violência das ondas contra o rochedo.
Indignados,
os dois pintores que não foram escolhidos questionaram o juiz que deu o voto de desempate:
Como este quadro tão violento pode representar a paz,
sr. Juiz?
E o juiz,
com uma serenidade muito grande no olhar,
disse:
Vocês repararam que,
em meio à violência das ondas e à tempestade,
há numa das fendas do rochedo,
um passarinho com seus filhotes dormindo tranquilamente?
E os pintores sem entender responderam:
Sim,
mas...
Antes que eles concluíssem a frase,
o juiz ponderou:
Caros amigos,
a verdadeira paz é aquela que,
mesmo nos momentos mais difíceis,
nos permite repousar tranquilos.

☼☼☼

Talvez muitas pessoas não consigam entender como pode reinar a paz em meio à tempestade,
mas não é tão difícil de entender.
Considerando que a paz é um estado de espírito podemos concluir que,
se a consciência está tranquila,
tudo à volta pode estar em revolução que conseguiremos manter nossa serenidade.
Fazendo uma comparação com o quadro vencedor,
poderíamos dizer que o ninho do pássaro,
que repousava serenamente com seus filhotes,
representa a nossa consciência.
A consciência é um refúgio seguro,
quando nada tem que nos reprove.
E também pode acontecer o contrário:
tudo à volta pode estar tranquilo e nossa consciência arder em chamas.
A consciência,
portanto,
é um tribunal implacável,
do qual não conseguiremos fugir,
porque está em nós.
É ela que nos dará possibilidades de permanecer em harmonia íntima,
mesmo que tudo à volta ameace desmoronar,
ou acuse sinais de perigo solicitando correção.
Sendo assim,
concluiremos que a paz não será implantada por decretos nem por ordens exteriores,
mas será conquista individual de cada criatura,
portas adentro da sua intimidade.

☼☼☼

Um dia,
A paz vestiu-se de Homem e conviveu com a Humanidade sofredora e aflita.
Conservava-Se em paz mesmo diante das situações mais turbulentas e assustadoras.
Agredido,
manteve-Se sereno.
Caluniado,
exemplificou tranquilidade.
Diante da tempestade no mar,
pediu calma.
Pregado na cruz,
permaneceu em paz.
Todavia,
antes de partir teve ensejo de dizer:
A minha paz vos deixo,
como exemplo.
A minha paz vos dou,
como modelo a ser copiado.

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