quarta-feira, 14 de maio de 2014

Depois se vê☼☼☼



Chuva.
Nada mais ancestral.
Muita água,
pouca água,
não importa: choverá.
Em vários períodos do ano, mais forte, mais fraco: choverá.
Em São Paulo, Minas, Rio, Florianópolis.
E também na Alemanha, na Nova Zelândia, no Peru.
Choveu nos anos 40,
chove em 2014, choverá em 2068.
Passado, presente e futuro sob uma única nuvem.
Só que o país do futuro não pensa no futuro.
Somos totalmente refratários à prevenção.
Tudo que nos acontece de ruim provoca uma chiadeira,
vira escândalo nacional-mas depois. Ficamos estarrecidos, mas depois.
O antes é um período de tempo que não existe.
Investir dinheiro para evitar o que ainda não aconteceu nos soa como panaquice.
Se está tudo bem até às 14h30 dessa quarta-feira,
por que acreditar
que às 14h31 tudo pode mudar?
Então não se investe em hospitais até que alguém morra no corredor,
não se policia uma rua até que duas adolescentes sejam estrupadas, não se contrata salva-vidas até que meia dúzia morra afogada.
Somos os reis de tapar buracos, os bambambans em varrer para debaixo do tapete,
os retardatários de todas as corridas rumo ao desenvolvimento.
Não prevemos nada.
Adoramos os astrólogos, mas odiamos pesquisa.
Consideramos estupidez gastar dinheiro com tragédias que ainda estão em perspectiva. Só o erro consolidado retém nossa atenção.
A gente se entope de açúcar, não usa fio dental e depois vai tratar a cárie,
se sentindo privilegiado por poder pagar um dentista.
A gente aplaude a arrogância dos filhos e depois vai pagar a fiança na delegacia.
A gente fuma três maços por dia

e depois processa a indústria tabagista.
A gente corre na estrada a 140km/h, ultrapassa em faixa contínua e depois suborna o guarda,
na melhor das hipóses. Ou então morre, ou mata-na pior delas.
A gente vota em corrupto, depois desdenha da política em mesa de bar.
A gente joga lixo no meio fio, depois se surpreende em ter a rua alagada.
A gente se expõe em todas as redes sociais, depois esbraveja contra os que invadiram nossa privacidade.
Precisamos detransporte público de qualidade, mas só depois desediar a Copa do Mundo.
A sociedade reclama por profissionais mais gabaritados, mas ninguém investe em professores e em universidades. E os donos de estabelecimentos comerciais só irão se dar conta de que estão perdendo dinheiro quando descobrirem os pangarés que contrataram para atender seus clientes.
Treinamento, nem pensar. Se precisar mesmo, depois.
PRECISAMOS MESMO. DE TUDO.
SÓ QUE ANTES.
                                                                                                            "Martha Medeiros"
                                 Do livro: "Feliz por nada"

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A fé de uns e de outros☼☼☼

"Faço minha as palavras dela"
                                                  (Martha Medeiros)


Apoio que as pessoas se manifestem publicamente
contra a violência urbana,
contra os altos impostos que não são revertidos   em benefícios sociais,
contra a corrupção,
contra a injustiça,
contra o descaso com o meio ambiente,
enfim,
contra tudo que prejudica o desenvolvimento da sociedade
e o bem estar pessoal de cada um.
No entanto, tenho dificuldade de entender
a mobilização,
geralmente furiosa,
contra escolhas particulares que não afetam em nada a vida de ninguém,
a não ser os diretamente envolvidos,
caso da legalização do casamento gay,
que foi aprovado na Argentina.
 Se dois homens ou duas mulheres
desejam viver amparados por todos os
direitos civis que um casal hétero dispõe,
em que isso atrapalha a minha vida ou a sua?
Estarão eles matando,
roubando,
praticando algum crime?
No caso de poderem adotar crianças,
seria mais saudável elas serem criadas em orfanatos
do que num lar afetivo?
Ou será que se está temendo que a legalização
seja um estimulo para os indecisos?
Ora, a homossexualidade faz parte da natureza humana,
não é um passatempo,
um modismo.
É um fato: algumas pessoas se sentem atraídos-
e se apaixonam- por parceiros do mesmo sexo.
E se por acaso um filho ou neto nosso
tiver essa mesma inclinação,
é preferível que ele cresça numa sociedade
que não estigmatize.

Ou é lenda que queremos o melhor para os nossos filhos?

No entanto,
o que para mim parece lógico
não passa de um pântano para grande parcela sociedade,
principalmente para os católicos praticante.
Entendo e respeito o incomodo que sentem com a situação,
que é contrária às diretrizes do Senhor,
mas , na minha santa inocência,
ainda acredito que religião deveria servir apenas para promover
o AMOR e a PAZ de espirito.
Se for para promover a culpa e para decretar
que quem é diferente deve arder no fogo do inferno,
então que conforto é esse que a religião promete?
Não quero a vida eterna ao custo de subjugar
quem nunca me fez mal.
Prefiro vida com prazo delimitado,
porém vivida em harmonia.