
Artur da Távola
É um ser em estado de torcida do Flamengo.
Torce mais por ele (o amado) que pela Seleção.
Entra no campo, agride o juiz, salta o alambrado,
topa qualquer desafio. Só vê a vitória.
Vai pro exílio, larga carreira,
profissão, conveniência, partido político.
Só tem um caminho e uma verdade: o amor.
O resto virá depois. Sem ele, o tudo é nada.
É o mais paciente dos seres impacientes.
Sempre em estado de "estou pronta" leva anos
esperando com uma insuportável
e maravilhosa impaciência, exigência,
dedicação, entrega, cegueira,
vontade de quintais, praias e amarrações
que supõe perfeitas e definitivas.
Ninguém vive a provisoriedade
com tanto sentido de permanência.
Ninguém assina em branco
e antecipa tantos avais de afeto.
Ninguém erra com tanta convicção e decência.
É fera e santa, guerreira e gato,
desastrada e genial,
capaz de usar fitas; meias coloridas;
de enfrentar solidões, distâncias,
presenças e furacões pelo ser amado.
É o mais regular dos seres irregulares, porque
não julga, não pensa, não avalia: sente.
E que se danem o mundo, as regras,
as regulações, disposições, legislações
e tudo aquilo que a mãe ensinou!
Que o mundo exploda em flores!
Ser de grandezas só vive de migalhas.
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