que,
nascido na palha,
não desesperou da pobreza a que o mundo
lhe relegara a existência,
transformando o berço apagado
em poema inesquecível.
Assinalado por uma estrela
em sua primeira hora humana,
nunca se lembrou disso em meio das criaturas.
Com a sabedoria dos anjos,
falava a linguagem dos homens,
entretendo-se à beira de um lago em desconforto,
com as criancinhas desamparadas.
Trazendo os tesouros da imortalidade no espírito,
vivia sem disputar uma pedra
onde repousar a cabeça e,
dispondo da autoridade maior,
escolhia servir ao invés de mandar,
levantando os doentes e amparando os aflitos.
Em permanente contato com o céu,
ninguém lhe ouviu qualquer palavra
em torno dessa prerrogativa e,
podendo deslumbrar o cérebro de seu tempo,
preferia buscar o coração dos simples
para esculpir na 'alma do povo
as virtudes do amor no apoio recíproco.
Esquecido, não se descurava do dever de
auxiliar sempre;
insultado, perdoava;
traído, socorria aos verdugos,
soerguendo-lhes o espirito
através da própria humildade.
Golpeado em suas esperanças mais belas,
desculpava sem condições
a quanto lhes feriam a alma angélica.
ninguém lhe escutou a mais leve queixa
contra os beneficiários sem memória
a lhe zurzirem a vida e o nome com
as farpas da ingratidão.
Vendidos por um dos companheiros
que mais amava, recebeu-lhe,
sereno, o beijo suspeitoso.
encarcerado e sentenciado à morte sem culpa,
não recorreu ajustiça
por amor àqueles que lhe escarravam na face,
deixando-se crucificar com o silêncio da paz
e o verbo do perdão.
E ainda mesmo depois do túmulo,
ei-lo que volta à terra estendendo as mãos
aos amigos que o mal segregara na deserção,
reunindo-os de novo em seus braços de luz.
Esse alguém era humilde.
Esse alguém era Jesus.
" FranciscoCândidoXavier"
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