
Tenho uma confissão para fazer;
É que sou louca, sabia?
Gostaria de ter o mar na pia do banheiro
E as estrelas no céu da boca.
Ando pelas ruas com as mãos no bolso do infinito,
Pensando no horizonte.
Sou a louca que anda com a cabeça baixa,
Porque meus pés são verdades de ventura
E eu não sei quando eles vão amadurecer.
A louca que vê gnomos e fadas
E que acredita em bruxas
Vejo discos voadores enroscados
Nas teias de aranha da cozinha
A louca que acredita em amor eterno
Sou a loca que ouve vozes no fundo do criado mudo
A louca que se entristece ao lembrar, que o bife do almoço
Deixou órfão um bezerrinho
E que imagina um dente cariado boiando
Em um copo de coca-cola gelado.
A louca que não faz poema para
Homens lindos e tristes
Por que sei que existe em alguma parte uma barriga vazia mais triste ainda.
Penso em me calar quando vejo o azul do céu
Não expresso quanto isso é lindo.
Pois o que eu queria mesmo era ser vista pelo cego
E sentida pelo prisioneiro.
O que posso fazer?
Eu sou louca, e daí?
A loca que dorme no chão para não cair da cama
Quando o sonho for muito alto.
A louca que queria ter na parede do quarto
O pôster do futuro, e ser goleira andrógena
Embaixo da trave do arco-íris;
Penso que a estatua da liberdade
Queima as azas dos passarinhos.
Uma louca que jogaria fliperama na Sibéria,
Caso proibissem o canto do sabia no zoológico.
Não ser louca é muita doideira.
Por isso sou bioloquita.
Você sabe que o homo-sapiens pode colonizar a lua?
Isso me deixa louca de tristeza,
Só tenho uma saída, corro para o meu quarto e me escondo
Embaixo da cama, fingindo ser um pinico,
Porque pinico não pensa, não escreve, não menti,
Não menti por que não fala
E não depende do petróleo causando poluição.
Quando a gente não tem limite para fazer as coisas
A gente faz essas doideiras.
Pô! Percebi agora que a etiqueta da minha blusa
É tão pequenina. Mais que droga tudo isso só para dizer
Que te amo. Sempre...
Viu como posso ser tão doida quanto você.
Beijos...
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